MNCR e Associação Ecóleo firmam parceria em campanha nacional de reciclagem do óleo vegetal

MNCR e Associação Ecóleo firmam parceria em campanha nacional de reciclagem do óleo vegetal

Samuel Ferreira

O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e a Associação Brasileira para Sensibilização, Coleta e Reciclagem de Resíduos de Óleo Comestível (Ecóleo) assinaram um protocolo de intenções para atuarem juntos numa campanha de coleta e reciclagem de resíduos de óleo comestível em todo o território nacional. .

Firmada durante o III Encontro Nacional dos Coletores, Beneficiadores e Recicladores de Óleo Comestível, realizado no último dia 6, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, a parceria inclui um amplo trabalho de sensibilização nos municípios sobre a importância da destinação correta do chamado “óleo de cozinha”, cujo resíduo pode ser reciclado e transformado em biodiesel, entre outros produtos, poupando, assim, os recursos naturais.

100_8228

Intitulado “Para onde vai o óleo que você joga fora?”, o slogan da “Campanha para Coleta, Beneficiamento e Reciclagem de Resíduos de Óleo Comestível” pretende conscientizar a população sobre os prejuízos que o descarte incorreto do óleo causa ao meio ambiente, além de enfatizar os benefícios econômicos e socioambientais decorrentes da reciclagem do óleo, como geração de trabalho e renda e a conservação das águas.

Além da própria população, a campanha tem como público-alvo os setores público e privado, associações de moradores, unidades educacionais e estabelecimentos comerciais, entre outros. Um trabalho de educação ambiental deve ser feito, com a colocação de cartazes em locais estratégicos, distribuição de folders e palestras.

Por sua vez, o MNCR está mobilizando suas bases – compostas por cooperativas e associações – para envolvimento no projeto, bem como seu desenvolvimento junto à comunidade, onde serão colocadas “bombonas” em “ecopontos” instalados em diversos locais na cidade, para que a população deposite os recipientes com óleo usado. As cooperativas farão a coleta desse óleo e venderão às entidades beneficiadoras ou recicladoras, ecologicamente corretas, apresentadas pela Ecóleo.

 

 

Catadores assinam parceria entre MNCR e Ecóleo: campanha nacional pela reciclagem do óleo vegetal

 

                                     “Estamos juntos, nessa bandeira da coleta do óleo”

Em sua fala no encontro, o coordenador do MNCR, Roberto Laureano da Rocha, enalteceu a iniciativa da Ecóleo para a campanha e frisou a importância da discussão de políticas públicas para impulsionar e melhorar os negócios da economia solidária.

“Enquanto Movimento Nacional dos Catadores, estamos juntos nessa bandeira da coleta do óleo. Estamos fazendo uma discussão e trabalhando um programa nacional de coleta de óleo, dentro do nosso programa de coleta seletiva, assim como em Poá, onde nós lançamos um programa de coleta seletiva municipal da coleta do óleo. Estamos discutindo isso, que todas as cooperativas de catadores também incorporem isso em seus municípios, onde iremos discutir com os diversos parceiros, ecologicamente corretos, que dão um destino correto na questão do óleo e produzem um biodiesel de qualidade. As cooperativas estarão à disposição para fazerem parcerias locais com todos vocês”, afirmou.

Rocha ainda ressaltou a importância da inserção da pauta do óleo vegetal nas discussões da Conferencia Nacional de Meio Ambiente e nos planos municipais de resíduos sólidos.

“É importante nós trazermos para dentro dessa conferência o tema do óleo vegetal. Outra pauta, que é importante não esquecermos, é que todos os municípios, até 2014, precisam estar com seus planos de resíduos construídos e, dentro de seus planos, é importante também colocar a questão do óleo vegetal, que é uma pauta onde vemos que está muito distante. Se estamos falando na logística reversa e resíduos domiciliares, logicamente estamos falando, também, diretamente do óleo, que tem que ser pautado e quem vai fazer essa pauta é a sociedade, quem trabalha com isso, que somos todos nós. Vocês têm de ir lá, discutir nos planos, para que o tema do óleo seja cada vez mais próximo e mais emergente para as políticas públicas do Brasil”, finalizou.

Apoio da Assembleia Legislativa

Presente ao evento, o deputado José Roberto Trícoli, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa e Coordenador da Frente Ambientalista da casa, destacou que o destino correto do óleo pode transformar demais a qualidade de vida da cidade e das comunidades.

“O impacto do recurso hídrico é impressionante, cada redução de óleo que você faz, o que você impacta positivamente na qualidade das águas é impressionante. Eu, como presidente da Comissão de Meio Ambiente, tenho que valorizar, enaltecer e dar todo apoio necessário. Eu gostaria que a gente pudesse amplificar isso, não só com relação ao encontro nacional, mas às outras atividades”, disse, lembrando que o papel desempenhado por todos na cadeia de atividades produtiva, seja como coletor, beneficiador ou reciclador é importantíssimo.

“Vocês não são limpadores, transformadores, simplesmente, vocês são socioambientais e isso para nós tem um significado diferencial. Cada escola, cada supermercado, cada igreja, cada ponto de entrega que vocês instalam é uma conquista e nós temos que aplaudir sempre”, concluiu.

 

“Arrastão ecológico”

Demonstrando bastante confiança no projeto, a presidente da Rede Ecóleo, Célia Marcondes Smith, afirmou que o momento de parcerias é muito importante para todos os atores militantes do tema, uma vez que as discussões colaboram para descobrir o caminho certo e a maneira mais adequada para seguir o objetivo.

Célia (centro): campanha pela reciclagem do óleo terá sensibilização a nível nacional

 

“Na verdade nós estamos fazendo um trabalho junto com o Governo do Estado de Tocantins, para fazer, de município a município, um “eco arrastão”, nos moldes em que já estamos fazendo em Poá, junto com o Movimento Nacional dos Catadores e que vamos fazer pelo Brasil afora. Se não dermos o pontapé e chamarmos o Governo para isso, se não nos mobilizarmos, não acontecerá. Vocês são agentes ambientais, são micros empresários, médios empresários e grandes empresários, da nova economia, da economia inteligente, da economia sustentável”, salientou.

De acordo com Smith, a parceria com o MNCR não significa concorrência com os beneficiadores de óleo regionais que também fazem a coleta, pois, todo o óleo coletado no município vai para a cooperativa local que, por sua vez, venderá para o beneficiador mais próximo.

Um dos componentes da mesa, o engenheiro Joel Calhau, diretor de uma das empresas associadas, alertou para o fato de o descarte incorreto do óleo de cozinha ser uma poluição “invisível”, que ninguém vê. Citou que o Estado de São Paulo joga fora 10 milhões de litros de óleo por mês, onde aproximadamente 30% desse volume é recolhido, restando 7 milhões de litros de óleo despejados todos os meses nos rios.

“Isso requer uma reflexão, porque, se a gente imagina que um navio derramasse, por exemplo, 5 milhões de litros de óleo no mar, evidentemente que seria um estrago grande e a mídia estaria fazendo o maior barulho, mostrando o que aconteceu. E nós jogamos, minimamente, 7 milhões de litros de óleo por mês nos nossos rios, nossas lagoas, de maneira tranquila, silenciosa e contínua. Fazemos isso continuamente, se imaginarmos que é algo mensal, não é uma coisa localizada, que aconteceu esporadicamente, acontece isso continuamente e nosso papel como sociedade é realmente trazer toda a cadeia envolvida nessa área para preservar a questão ambiental”, disse.

O professor Evandro Bocatto, da Universidade MacEwan, do Canadá (parceira da Ecóleo), disse aos presentes que conheceu a iniciativa na Rio+20 e pediu para participar do projeto. “As Nações Unidas criam algo chamado pacto global, que as empresas assinam e se comprometem a trabalhar em quatro fundamentos, e a Ecóleo e vocês estão ajudando nos quatro. O primeiro fundamento são os diretos humanos; outro fator é a questão das relações do trabalho; a outra questão é a ecológica e outra questão importante são as iniciativas anticorrupção. Nesse modelo, a Organização Não Governamental dando a base para que tudo isso aconteça, não tem corrupção. É limpo e fantástico o que vocês estão fazendo”, externou.

Um dos integrantes da mesa foi o empresário Rodrigo Giglio, da empresa Giglio, que realiza a coleta de óleo reciclável no Brasil desde 1978. No evento, o educador Luiz Fernando Telles apresentou amostras de plástico derivado da reciclagem do óleo vegetal.

O Assessor da Secretaria de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Eduardo Caetano, sugeriu que o óleo fosse incluído nas discussões referentes à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e disse apoiar a inserção da coleta do óleo junto com a coleta seletiva convencional.

“Existe assinado um programa nacional de gestão de resíduos sólidos. É o único momento em que o óleo é sólido, porque ele está dentro desse “balaio” mas não é falado. Poderíamos mudar essa sigla, bastava só “resíduos”, porque precisamos lembrar sempre que o óleo também é resíduo orgânico. Estou instigando todos os municípios, seus secretários e seus prefeitos, a que, dentro do processo da coleta seletiva – que vai ser obrigada a fazer naquele município -, eles insiram também a coleta do óleo, porque o caminhão que vai carregar o resíduo reciclável pode perfeitamente ter um espaço para adequar o óleo vegetal, que é um problema porque ele é líquido, enquanto o papelão, a PET, a lata, tudo é sólido”, disse.

Música em prol da reciclagem

No intervalo do evento, a renomada dupla sertaneja Franky e Jacque cantaram a música de cunho ambiental “O Importante é Reciclar”, sendo muito ovacionada pelos participantes.

“A gente espera que essa música, com esse tema, toque no coração de vocês, que estão aqui com essa luta. Estamos aqui também em prol desse movimento, da sustentabilidade. Beijão no coração de vocês e obrigado pelo carinho”, disse Franky.

Além de representantes políticos e empresários do setor, o evento teve a presença de cooperados da Cooperativa de Reciclagem Unidos pelo Meio Ambiente (CRUMA), de Poá (SP).

Evento contou com representantes da Cooperativa de Reciclagem Unidos pelo Meio Ambiente (CRUMA)

 

Franky e Jacque: artistas estão comprometidos com a luta em prol da sustentabilidade